sexta-feira, 20 de maio de 2011

Simulado de português – prova de concurso público

Este é um simulado de português retirado de uma prova de concurso público que aconteceu recentemente. São questões respondidas com gabarito.

Leia o texto abaixo e, em seguida, responda às
questões a ele referentes:
Duas e três
(Ferreira Gullar)
Levei um susto quando aquela voz soprou em
minha nuca:
- Se tu é bom, mata essa: “Não durmo no Rio
porque tenho pressa; duas e três.”
Voltei-me para ver quem falava. Era um homem
quarentão, alto e gorducho, de roupas imundas,
rasgadas, e cara encardida. Uma cara simpática de
gângster regenerado.
Ele ria:
- Mata essa, vamos!
Era de manhã cedo, em junho, e fazia um frio
agradável. Acordara e, sem ter para onde ir, sentei-me
naquele banco da praça Floriano, em frente à Biblioteca
Nacional, à espera de que ela abrisse. Meu velho terno
marrom esfiapava nas mangas, o sapato empoeirado, a
barba por fazer. “Esse homem está me tomando por um
vagabundo”, pensei comigo. E achei divertido.
- Matar o quê?
- A charada, meu besta!
O velho se debruçava em cima de mim, com um
riso gozador. Fedia a suor e molambo. Afastei-o um
pouco, com o braço e, meio sem saber o que fizesse,
acedi.
- Como é mesmo a charada?
- Só repito esta vez, tá bom? “Não durmo no Rio
porque tenho pressa; duas e três.”
Sempre fui um fracasso para matar charadas.
Fiz um esforço para penetrar nas palavras, mas em vão.
- Digo mais. – esclareceu-me o vagabundo. –
Chaves: “Não durmo no Rio” e “Rio”. Conceito:
“pressa”... Mas você é burro, hein?
Donde diabo viera aquele cara impertinente,
para me obrigar a resolver uma charada àquela hora da
manhã? Mas meu orgulho estava em jogo. Pensava e o
pensamento escapulia.
- Não consigo decifrar. Não me amola.
- Então você perdeu.
- É, perdi.
- Então paga.
- Paga o quê?
- Duas pratas, meu Zé. Você perdeu!
Era incrível. Comecei a rir. Ele também ria e
dizia: “Paga, duas pratas.” Dei-lhe uma cédula de dois
cruzeiros e fiquei ali rindo enquanto ele se afastava
arrastando seus sapatos furados.
Semanas depois, estava eu no Passeio Público,
quando ele veio com a mesma conversa, com se nunca
me tivesse visto. “Mata essa: não durmo no Rio, porque
tenho pressa; duas e três.” Respondi-lhe em cima da
bucha: “Não durmo, velo; no Rio. cidade: velocidade. “
Ele ficou desapontado. “Você perdeu”, disse-lhe eu.
“Paga duas pratas.” Olhou-me sério, meteu a mão no
bolso e estendeu-me duas notas imundas. Fomos tomar
juntos um café na Lapa.
GULLAR, Ferreira. O melhor da crônica brasileira. 1 Ferreira
Gullar...[ET al.]. – 5ª Ed. – Rio de Janeiro: José Olympio, 2007.

01. Assinale a opção CORRETA:
a O mendigo e o narrador eram velhos conhecidos.
b O narrador havia chamado o desconhecido na praça.
c O desconhecido foi deselegante com o narrador.
d O narrador e o homem haviam marcado um
encontro prévio.
e O narrador foi surpreendido com a abordagem feita
pelo desconhecido.

02. Assinale a opção CORRETA:
a O narrador achou muito comum e normal a
abordagem que lhe foi feita pelo homem.
b O narrador repeliu, veementemente, o homem.
c Apesar de ter achado estranha a abordagem, o
narrador acabou se envolvendo com a simpatia do
desconhecido.
d O estranho queria extorquir o narrador.
e O homem da praça sobrevivia fazendo charadas.

03. Qual a palavra que melhor se aproxima de um
sinônimo para a palavra charada?
a duelo
b disputa
c comando
d enigma
e discórdia

04. Releia e responda: “Uma cara simpática de
gângster regenerado.” As expressões
sublinhadas, considerando o contexto em que estão
empregadas, são:
a antônimas
b sinônimas
c parônimas
d homófonas
e homônimas

05. Releia e responda: “Não me amola.” Dê um
sinônimo à palavra destacada:
a interromper
b importunar
c amolecer
d entorpecer
e amortecer

06. As palavras duas e três, que formam o título do
texto, se referem a quê?
a Cinco charadas feitas pelo estranho
b Duas e três horas
c Cinco personagens da narrativa
d Duas e três sílabas de “velo” e “cidade’, que formam
a palavra “velocidade”, na charada
e Duas personagens do texto

07. Onde estava o narrador quando o homem apareceu
pela primeira vez?
a sentado em um banco de uma praça
b na fila, esperando o ônibus
c no Passeio Público
d na Lapa
e na rua, caminhando

08. Para o narrador o que lhe pareceu ser o homem
que o abordara?
a um vagabundo de rua
b um mágico de rua
c um vigarista
d um louco
e um trabalhador desempregado

09. A palavra pressa, de acordo com as regras
vigentes no sistema ortográfico da língua
portuguesa, contém:
a ditongo crescente
b hiato
c dígrafo
d ditongo decrescente
e tritongo

10. Releia e responda: “Este homem está me
tomando por um vagabundo.” A expressão
sublinhada significa o seguinte:
a “estranhando”
b “comparando com”
c “acompanhado por”
d “discordando de”
e “parecendo com”



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Gabarito:
1.E – 2.C – 3.D – 4.B – 5.B – 6.D – 7.A – 8.A – 9.C – 10.B

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