sábado, 21 de maio de 2011

Prova de português de concursos atuais

Abaixo segue questões de prova de português de concursos atuais que acontecem no Brasil. Tente resolver as questões de português para concurso e veja se está pronto para acertar todas as questões em uma prova de concurso.

Leia atentamente o texto abaixo, de autoria do
cronista Rubem Braga, e, em seguida, responda às
questões a ele relacionadas:
O CAJUEIRO
O cajueiro já devia ser velho quando nasci. Ele
vive nas mais antigas recordações de minha infância:
belo, imenso, no alto do morro, atrás de casa. Agora
vem uma carta dizendo que ele caiu.
Eu me lembro do outro cajueiro que era menor, e
morreu há muito mais tempo. Eu me lembro dos pés de
pinha, do cajá-manga, da grande touceira de espadasde-
são-joão (que nós chamávamos simplesmente “tala”)
e da alta saboneteira que era nossa alegria e a cobiça
de toda a meninada do bairro porque fornecia centenas
de bolas pretas para o jogo de gude. Lembro-me da
tamareira, e de tantos arbustos e ramagens coloridas,
lembro-me da parreira que cobria o caramanchão, e dos
canteiros de flores humildes, “beijos”, violetas. Tudo
sumira; mas o grande pé de fruta-pão ao lado de casa e
o imenso cajueiro lá no alto eram como árvores
sagradas protegendo a família. Cada menino que ia
crescendo ia aprendendo o jeito de seu tronco, a cica de
seu fruto, o lugar melhor para apoiar o pé e subir pelo
cajueiro acima, ver de lá o telhado das casas do outro
lado e os morros além, sentir o leve balanceio na brisa
da tarde.
No último verão ainda o vi; estava como sempre
carregado de frutos amarelos, trêmulo de sanhaços.
Chovera; mas assim mesmo fiz questão que Carybé
subisse o morro para vê-lo de perto, como quem
apresenta a um amigo de outras terras um parente
muito querido.
A carta de minha irmã mais moça diz que ele caiu
numa tarde de ventania, num fragor tremendo pela
ribanceira; e caiu meio de lado, como se não quisesse
quebrar o telhado de nossa velha casa. Diz que passou o
dia abatida, pensando em nossa mãe, em nosso pai, em
nossos irmãos que já morreram. Diz que seus filhos
pequenos se assustaram, mas depois foram brincar nos
galhos tombados.
Foi agora, em fins de setembro. Estava carregado
de flores.
BRAGA, Rubem, 200 crônicas escolhidas.
Rio de Janeiro, 6a ed., Record/1986.

01. A estrutura narrativa do texto está marcada por um
tom:
a) de nostalgia, saudosismo e recordações da infância
do narrador.
b) de alívio para o narrador, já que se tratava do
padecimento de alguém velho.
c) de recordações indesejáveis que mereciam ser
esquecidas.
d) de indiferença a um passado distante e perdido no
tempo.
e) de profunda angústia e desejo de banir uma infância
sofrida.

02. Identifique a passagem do texto que melhor
expressa o valor afetivo que o cajueiro
representava para o narrador:
a) “O cajueiro já devia ser velho quando nasci.”
b) “Ele vive nas mais antigas recordações de minha
infância.”
c) “...estava como sempre carregado de frutos
amarelos, trêmulos de sanhaços.”
d) “mas o grande pé de fruta-pão [...] e o imenso
cajueiro lá no alto eram como árvores sagradas
protegendo a família.”
e) “Estava carregado de flores.”

03. O narrador, buscando intensificar um efeito de
valorização do cajueiro, chega a aproximá-lo da
condição humana, personificando-o. Aponte a
declaração, extraída do texto, que sugere esta
personificação:
a) “Cada menino que ia crescendo ia aprendendo o
jeito de seu tronco,...”
b) “..., o lugar melhor para apoiar o pé e subir pelo
cajueiro acima,...”
c) “... e caiu meio de lado, como se não quisesse
quebrar o telhado de nossa velha casa.”
d) “... diz que ele caiu numa tarde de ventania,..”
e) “Foi agora em fins de setembro.”

04. De acordo com o texto, o que era chamado (a)
“tala” pelos meninos do tempo de infância do
narrador?
a) os pés de pinha
b) o cajá-manga
c) a alta saboneteira
d) as espadas-de-são-jorge
e) as ramagens coloridas

05. Aponte a alternativa que apresenta uma expressão
empregada no sentido conotativo:
a) “Eu me lembro do outro cajueiro que era menor,...”
b) “... e dos canteiros de flores humildes, “beijos”,
violetas.”
c) “Diz que passou o dia abatida,...”
d) “Diz que seus filhos se assustaram;...”
e) “..., pensando em nossa mãe, em nosso pai,...”

06. Em: “Eu me lembro do outro cajueiro que era
menor,...” ocorre o fenômeno gramatical da
colocação pronominal. Que tipo de colocação
podemos observar no trecho?
a) mesóclise
b) ênclise
c) próclise
d) sinônimos
e) antônimos

07. Identifique, dentre as passagens abaixo, aquela em
que aparece um período composto por
subordinação:
a) “Agora vem uma carta dizendo que ele caiu.”
b) “O cajueiro já devia ser velho...”
c) “... morreu há muito mais tempo.”
d) “Tudo sumira;...”
e) “Chovera”

08. Observe a grafia da palavra sublinhada na
passagem: “Cada menino que ia crescendo ia
aprendendo o jeito de seu tronco, a cica de seu
fruto,...”. Assinale a alternativa em que todas as
palavras da ordem são escritas com J:
a) berin...ela – ...ilete – ...iz
b) ...ibóia – ...ia – gor...eta
c) ...eringonça – ...iló – ...inete
d) ...irafa - ...erico – ...irândola
e) ...inga – ...íria - ...erimum

09. “Lembro-me da tamareira, e de tantos arbustos e
folhagens coloridas...” O sujeito desta oração é
a) indeterminado
b) composto
c) inexistente
d) da voz passiva
e) oculto

10. Na passagem “No último verão ainda o vi.”, qual é
a função sintática exercida pelo termo grifado?
a) objeto indireto
b) complemento nominal
c) adjunto adverbial
d) adjunto adnominal
e) objeto direto







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Gabarito:
1.A - 2.D - 3.C - 4.D - 5.B - 6.C - 7.A - 8.B - 9.E - 10.E

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